quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Jonas Trindade. Profissão: Arte Finalista. (porque alguém tem que terminar o desenho)

Publicado anteriormente no Farrazine #25.

          Posso falar com conhecimento de causa: apesar de ter feito apenas 02 testes, posso afirmar: ser arte finalista é complicado! PUTA QUE PARIU! Esse negócio de que ser arte finalista é fácil, basta apenas cobrir de preto os desenhos... Isto é uma das maiores inverdades que conheço. E outro detalhe: ser arte finalista é uma etapa necessária na produção dos quadrinhos periódicos, cujos profissionais não são devidamente reconhecido do ponto de vista do mérito profissional e pouco conhecidos pela população em geral. Analisando o processo, arte final é tão necessária como a função do argumentista, roteirista, desenhista, colorista, balonista e letreirista (e colocar letreiro e balão é outro ofício desvalorizado).
            Enfim... Em defesa dos artes finalistas, convidei para uma entrevista Jonas Trindade atualmente agencia do pela Space Goat que trabalha neste ofício.

Paloma Diniz: Tudo bem, Jonas?
Jonas Trindade: opa \o/
PD: Antes de quaisquer outras perguntas, por favor, fale sobre o processo de arte final.
JT: Bem o processo em si começar, pelo menos para mim, de duas formas: ou imprimindo a página, ou fazendo sobre o original a lápis; feito isso, eu analiso todas as páginas e antes mesmo de finalizá-la - eu já faço isso mentalmente – eu estudo qual a melhor forma de separar os planos, como trabalhar as texturas, aonde eu posso acrescentar algo do meu desenho porque arte finalista tem que saber desenhar; um arte finalista de destaque é um desenhista também. Depois de toda a análise, eu escolho qual ferramenta usar: pincel, bico de pena, caneta nanquim descartável ou até mesmo caneta técnica.

Desenho de Allan Jeff com arte final de Jonas Trindade
Depois de feita a página eu digitalizo ela em três (03) partes isso se for um A3 inteiro se for separada em partes de A4. Isso ocorre quase sempre porque geralmente eu imprimo as páginas, eu faço toda a parte de ajuste no photoshop. Primeiro eu monto a página, depois limpo o canal da cor que foi impressa a página; eu uso azul como cor base pra imprimir o lápis, ah sim! Importante: sempre que recebo o arquivo eu passo ele de cinza para azul, bem feito to do processo do scan, eu ajusto os níveis da página e deixo as linhas com mais texturas; passo para o formato bitmap e salvo em Tiff zipado para ser enviado para o colorista. O arquivo em TIFF zipado permite reduzir o peso do arquivo sem interferir na qualidade do mesmo; eu faço todos os meus scans com 600 dpis de resolução, salvo nesse formato primeiro o que chamamos de arquivo em alta e depois eu passo pra tons de cinza e salva em JPEG bem leve o que chamamos arquivo em baixa que vai para o editor aprovar. Nunca mandem arquivos gigantes para o editor aprovar.
Página teste de arte final de Jonas Trindade para Birds of Prey

PD: Como você se tornou arte finalista?
JT: Bem, foi engraçado, pois estudei como Guilherme Balbi, meu amigo e desenhista de quadrinhos; nessa época vi meu professor arte finalizar um desenho e fui fisgado, parei e falei vou ser “inker”; meus primeiros traços com pincel foram sobre desenhos do Balbi nessa época isso em 2004. Depois disso fui aprimorando minha técnica; hoje eu sei usar praticamente de tudo para fazer arte final.
PD: Eu já escutei comentários afirmando que a profissão de arte finalista estava se extinguindo. Qual a sua opinião sobre esta afirmação?
JT: olha é quase que impossível a profissão acabar, mesmo porque nem todos os desenhistas sabem fazer um lápis limpo e certinho, hoje a muitos recursos como fazer a arte final digital ou tentar escurecer o traço, mas mesmo assim é inferior ao bom e velho pincel, é claro se você souber usar uma mesa gráfica bem conseguirá finalizar como se estivesse usando um pincel, mas acabar não eu duvido, pode haver novas formas de se finalizar o desenho, mas sumir nunca.
A esquerda, página do Hulk  apenas no lápis, e a direitas, arte finalizada por Jonas Trindade

PD: Quais são as ferramentas para fazer uma boa arte final?
JT: Primeiro saber desenhar bem; todo arte finalista de destaque sabe desenhar.  Segundo não ter medo de experimentar novas técnicas ser humilde e escutar as boas e, mas críticas e entender que tudo tem sua hora; isso de forma resumida.
PD: Vamos falar um pouco sobre você. Fale sobre Jonas Trindade.
JT: Mineiro da cidade de Contagem próximo a BH, solteiro, 30 anos (risos), arte finalista de Comics, pescador inveterado, de poucas palavras, sempre podendo estende a mão pra ajudar, mas não se enganem como todo bom mineiro e muito desconfiado.
PD: Como foi que você interessou-se pelo universo dos quadrinhos?
JT: foi de moleque com quadrinhos da Monica aliás, todo mundo começa lendo Monica (risos). Depois disso arrumei umas HQs de terror da hora do pesadelo desenhadas pelo Alfredo Alcala, antigo isso... e ai, eu fui me interessando por quadrinhos de super heróis, mas na época eu já lia Raça das Trevas do Clive Baker entre outros tipos de publicação, mas foi bem natural agora migrar de fã pra trabalhar com isso. Foi um pouco mais tarde, quando a Editora Image invadiu o Brasil, e se tinha mais informação de quadrinhos, muitas delas publicadas pela extinta revista Wizard. O bacana é que naquele tempo eu lia uma matéria sobre quadrinistas brasileiros fazendo comics pros EUA; se não me enganou foi na época quero Marcelo Campos entrou nossa achei a notícia fantástica depois vieram Deodato Jr., Roger Cruz e outros mais, mas não se tinha uma estrutura pra iniciar novos artistas.
PD: Cite algumas HQs que você trabalhou e no que você está trabalhando em que quadrinhos atualmente?
JT: Já trabalhei pra revista Elders of Runestone, Red tornado DC Comics, Nick Fury Marvel, Transformers Editora IDW, Teen Titans da DC Comics, entre outras. Atualmente estou trabalhando como Allan Jefferson na HQ Devil is Due in Dreary e vou iniciar um pra Dark Horse.  O da Dark Horse ainda não pode falar.
Trabalho atual de Jonas Trindade juntamente com Allan Jeff

PD: você pretende trabalhar como desenhista? Ou melhorar-se e continuar como arte finalista?
JT: olha tudo dando certo eu viro desenhista (na etapa de criação da história), mas até eu me acertar, eu continuarei com as inks, como meu processo de arte final tá mais adiantado agora, é ir estudando desenho aos poucos.
PD: Você está no FIQ por estes dias? Você encontrou outros arte finalistas?
JT: Eu estive lá todos os dias.  Foi muitoooooooooooooooooo fodaaaaa, conheci muita gente praticamente todos os meus amigos novos da web e mais uma pancada de profissionais da área; só tinha nego foda lá! Poxa Paloma você ia pirar, viu? Encontrei lá meus amigos que trabalham como arte finalistas Eber Ferreira e Julio Ferreira (e olhe que eles não parentes! (risos). Tinha no 7º FIQ, um estúdio ao vivo aonde podíamos ir e trabalhar um pouco mostrar partes do processo pra galera que vinha ao evento poder ver como é feito uma HQ.
Galera reunida no F.I.Q. em Belo Horizonte.

PD: Você tem acompanhado a produção brasileira de quadrinhos?
JT: um pouco; nesta edição do FIQ tinha muitos independentes; inclusive eu recomendo a trilogia, dos meus amigos do Sul. O fanzine Supreme do João Azeitona, Mateus Santo Louco e Walter Pax.
PD: E pra finalizar: sofres do mal que aflige os desenhistas: você tem escoliose?
JT: hahahahaha... Se eu tenho, eu nem sei, viu? Mas as costas doem depois de um tempo trabalhando; preciso me movimentar mais (risos).
Agradecimentos:
À Caroline de Góes pelas belas fotos do FIQ 2011em seu facebook.
A Kare Hedebrand que também postou belas fotos do FIQ 2011 no seu facebook.
Blog do Jonas: http://luqkhyjonas.blogspot.com/
Outra entrevista dele: http://www.multiversodc.com/v2/2008/12/novos-talentos-jonas-trindade/

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Desenhando com Técnicas Mistas:


 Mulher Maravilha



        Após desenhar com lápis grafite uma figura da Mulher Maravilha, personagem da DC Comics, eu finalizei o desenho com canetas nanquim de ponta porosa descartáveis da linha Uni Pin Fine Line da Mitsubishi Pencil CO. LTD nas numerações 050301005; espessuras estas de pontas mais grossas até pontas mais finas para delinear a figura de uma forma geral usando a variação das pontas das canetas para atingir o efeito visual desejado, deixando as mechas dos cabelos para serem preenchidas com nanquim aguada aplicada com pincel. Eu utilizei tinta nanquim da marca Tintex na cor preta para um preenchimento uniforme e rápido; direcionei as pinceladas para dar volume e movimento ao cabelo da personagem.
            A técnica escolhida para coloração foi lápis de cor, material este que pessoalmente gosto muito de trabalhar. Utilizei, na coloração em geral, lápis de cor da marca Faber-Castell da linha escolar que você encontrará facilmente nas papelarias.
            Comecei a pintura pelos azuis. O cabelo da Mulher Maravilha é negro com brilho que tende a azul; ou seja, o tom de cabelos negros mais escuros que uma pessoa pode ter ou tingir. Trabalhei com lápis de cor com os mesmos movimentos feitos com pincel. Apliquei o princípio básico da volumetria para representar materiais opacos e polidos. Os olhos da personagem também são azuis e os colorir aplicando suaves camadas para dar volume a íris, deixando a parte mais próxima à pálpebra superior mais escura para simular a sombra projetada desta na íris. Utilizei para esta coloração lápis azuis da Faber-Castell de número 051 e 048.
           Na sequencia, trabalhei tons de vermelho e marrom para lábios, estrelas dos acessórios e parte superior do uniforme.
           Em particular para lábios e estrelas dos acessórios, utilizei outros lápis de cor de outra marca chamada Prismacolor que, infelizmente, você não encontrará à venda nas papelarias facilmente. Apenas em lojas especializadas e nos sites de venda de materiais especializados internacionais; até então, no Brasil, encontrei apenas no site Mercado Livre para vender. E você não encontrará aqui, em João Pessoa, para a compra. Utilizei lápis de cor vermelho da Prismacolor Rouge Cramoisi PC924 para o preenchimento e para sombrear Rouge Toscan PC 937. Para as estrelas, preenchi com suaves movimentos circulares até obter o tom desejado e também com movimentos circulares fiz as sombras dando solidez e uniformidade. Para os lábios, preenchi com movimentos em arco para dar volume e adotei o mesmo princípio da luz e sombra dos cabelos, criando assim textura.
       Para a parte superior do uniforme, utilizei três (03) lápis de cor da Faber-Castellvermelho 021,vermelho 027 e marrom 089. Adotei o princípio da volumetria de objetos opacos e foscos que poderemos observar a transição do claro para o escuro de forma regular e sequenciada (partes claras, cor do objeto, sombra natural, rebatimento luminoso e sombra projetada).  Também com movimentos circulares, eu suavemente preenchi com o vermelho 021 toda a forma; para dar mais densidade à cor, simulando tecido, eu acrescentei mais camadas da mesma cor. Para criar o efeito de sombra natural, acrescentei camadas do vermelho 027 e fazendo a transição do claro para o escuro. Para intensificar a sombra natural e criar a sombra projetada e difusa do braço da figura, acrescentei com movimentos circulares, suaves camadas do marrom 089.
       Na sequencia da coloração, utilizei os lápis de cor amarelo 007ocre 083 e preto 099 para criar a textura de metal polido dourado. As superfícies metálicas polidas possuem uma luminosidade de forma irregular e não sequenciada, muito diferente dos objetos opacos e foscos. Em todas as partes volumosas há transições de luz e sombra bruscas e em curtos espaços na forma. Sendo esta superfície a simular metal polido, seu rebatimento luminoso será representado de maneira intensa havendo espaços em branco que neste caso, será o branco do papel. Numa chapa de metal reta, poderemos observar que estas transições bruscas tem forma vertical; manuseando o lápis  constantemente na direção vertical, simularemos o mesmo efeito estético.  Para as partes claras, bem próximas aos espaços brancos do papel, apliquei camadas do amarelo 007. Mesclado ao amarelo 007 em direção oposta ao brilho, apliquei o ocre 083. E para simular a sombra apliquei camadas do preto 099, mescladas ao ocre 083, acentuando a intensidade de sua cor e criando uma sombra densa em coerência a luz e sombra que eu escolhi. Em particular para o símbolo que a Mulher Maravilha usa no busto que possui forma circular, eu arqueei as linhas, porém mantive o mesmo princípio de preenchimento do cinturão e da tiara.

          Para o preenchimento das formas que representam a pele, eu utilizei três (03) lápis de cor da Faber-Castelllaranja 013ocre 083 e marrom 075. Primeiramente, preenchi de maneira uniforme com laranja 013 porque a pele é uma superfície opaca e fosca. Para “quebrar” os tons levemente rosados da cor laranja sobre a superfície do papel branco, aplique suaves camadas de lápis de cor ocre 083. Nas regiões de depressão da forma das partes do corpo, e para acentuar o volume, acrescentei mais camadas do lápis laranja 013 e do lápis ocre 083. Para a sombra natural das partes, apliquei suaves camadas do lápis de cor marrom 075Para não deixar a figura em meio ao vazio, apliquei de forma aleatória tons de verde com aquarela. Tons estes que transitam de verdes mais azulados a verdes mais amarelados, para complementar os azuis e vermelhos da figura em primeiro plano.
Esta técnica de coloração com lápis de cor e com outros materiais eu ensino no curso de desenho clássico no Studio Made in PB que fica localizado na FUNESC – Fundação Espaço Cultural –  que fica localizado na Rua Abdias Gomes, próximo a Av. Epitácio Pessoa na altura da Florense. Eu leciono nas terças-feiras a tarde das 14:00h às 17:00h para crianças a partir de 10 anos e adolescentes; e nas terças-feiras das 19:00h às 21:00h à noite para adolescentes e adultos. Inscrição e mensalidades R$ 50,00. A duração dependerá do que você quer aprender. Maiores informações, ligue para o telefone (083) 8767-5564.
Espero que tenham gostado.






segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Made in PB no evento Agosto pra Tudo

No mês de julho deste ano recebi o convite de Beto Potyguara da República dos Quadrinhos para participar do evento Agosto Pra Tudo.

No início pensei que era apenas para escrever uma matéria, mas ele me disse que eu havia ganhado uma web comic com 22 páginas e que eu tinha apenas 15 dias para enchê-la.... Danou-se!

Eu não tinha conteúdo para tanto!

Então criei uma edição falando um pouco do Studio Made in PB para o evento Agosto Pra Tudo.

Para visualizar nossa edição clique no link abaixo:

http://issuu.com/madeinpbnoagostopratudo/docs/made_in_pb

Espero que gostem!

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Seu nome é Jeff, Allan Jeff.


Publicada originalmente na revista Farrazine #24

          Eu costumo dizer que as verdadeiras amizades superam as provas do tempo, da tolerância aos defeitos, e da distância.
Allan Jeff
 Com Allan Jeff não é diferente. Nunca vi esse homem pessoalmente; mas apesar da distância, é um amigo presente na minha vida. Conhecemo-nos nas redes sociais (salve o feicibuuk) e começamos a conversar sobre coisas em comuns entre nós: QUADRINHOS. Recentemente, fiz teste de arte final para o mercado de quadrinhos, coincidentemente os desenhos eram páginas feitas por ele; após o insucesso do teste, eu mostrei pra ele; e gentilmente, ele me orientou no que melhorar.
 Mesmo na distância, eu na Paraíba e ele em Minas Gerais, sempre partilhamos o nosso cotidiano.
            Allan Jefferson trabalhou nas seguintes HQs: Teen Titans, LJA, Taco Time – Thor, War Machine #6 -7 e #9-10, Crosshair, Predators, Iron Man vs. Fun Fang Foom, Transformers Prime. Em algumas fez capas, noutras fez desenhos internos e arte final. 
            Aproveitei-me da intimidade e convidei-o para uma conversa sobre seu ofício sagrado de todos os dias: desenhar.   
Paloma Diniz: boa noite, Jeff.
Allan Jefferson: boa noite.
PD: não quero te atrapalhar...
AJ: Tudo bem, não está.
PD: Quero primeiramente agradece por você ter aceitado meu convite para esta entrevista.
AJ: é um prazer. Vai ser pelo talk mesmo?
PD: sim e ficará registrado para eu transcrever com calma antes de enviar para a edição do Farrazine. Jeff, você faz jus aos apaixonados por quadrinhos? Que comem quadrinhos, respiram quadrinhos, lêem quadrinhos, bebem quadrinhos...ou não?
AJ: Eu queria fazer mais. Já fui assim. Ia a todos os eventos que podia, lia muito revistas da Marvel, DC, Dark Horse, etc. Incluindo os mangás! Mas com o tempo fui mudando meus gostos por leitura. Claro que você não deve pensar que eu não adoro os quadrinhos, independente de ler ou não, ainda amo esse universo.
PD: e como foi este enamorar por quadrinhos? Seu primeiro contato com este universo?
AJ: Eu posso dizer que tive dois "primeiros contatos".
O primeiro foi o básico, aos seis anos seus pais começam a lhe dar revistas para você aprender a ter gosto por leitura e claro que nisso os quadrinhos ajudam demais! Afinal, palavras com imagens são mais assimiláveis. Mas isso durou apenas alguns anos.
O grande amor mesmo veio em 1994, quando a paixão pelo antigo desenho dos X-men me levou a comprar a primeira edição com meu próprio dinheiro: x-men 70/ programa de extermínio, parte 3. E daí pra frente foi só aumentando.
PD: Eu lembro deste desenho, era muito bom! A 1ª edição dos X-Men que comprei foi a nº 50 que tem a primeira aparição de Jubileu e a morte de Vampira. E como foi que você tornou-se desenhista de histórias em quadrinhos?
AJ: Foi no FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos) que teve Em BH no ano de 2007. Quando o Editor da DC Comics (Ed Berganza) veio nos fazer a primeira visita. Houve uma avaliação de portfólio e quando eu fiquei sabendo, corri para lá com uma pasta A3 cheia de desenhos!
O normal para avaliação é de 7 a 10 folhas, a maior parte em páginas e talvez uns 02 pinups. Eu levei 70 folhas. rsrs. Queria mostrar tudo e não sabia escolher. Fui o último da fila em uma fila gigante que duraram 2 horas ou mais.
Levei uma ex-namorada, escolhi rápido 07 páginas na hora, pedi ela para segurar bem próximo dele os que eu não ia mostrar e mostrei apenas essas 07. Ele viu e quis analisar os outros 63 desenhos. rsrs. Claro que nessa hora eu pirei de alegria.
PD: E qual foi o primeiro contrato pra desenhar quadrinhos?
AJ: Liga da justiça. Um teste pago resultado dessa avaliação. 06 páginas de lápis, arte final e muita dor nas mãos. kkkk...
PD: Tu lembras o número desta edição da Liga?
AJ: Liga da Justiça n°75 no Brasil; a original eu não me lembro agora...
PD: E o que você está desenhando no momento?
AJ: Uma mini- série chamada "Devil is Due in Dreary". Além de uma história curta de 06 páginas que fiz para um site.
Devil is Due in Dreary

PD: Como é seu ritual de trabalho?
AJ: Bem vampiresco na maioria das vezes: trabalho a noite, a madrugada e às vezes a manhã.
Ai vem o caminho que eu sigo: Leio o roteiro (ou o que me enviaram dele, pois nem sempre vem por inteiro), leio de novo e começo a esboçar cenas. Faço os layouts em A4, envio. Quando vem o retorno, aprovação e etc., eu passo o layout para o A3 da seguinte forma: faço uma impressão da página em formato A3 (no meu caso, duas folhas de A4 coladas), Faço mesa de luz em cima do layout e a partir dai, mudo e melhoro o que eu sei que pode ficar melhor no lápis.
Spider-man


PD: Quais foram os trabalhos que marcaram você pessoal e profissionalmente? Aqueles que você não esquecerá nunca!
AJ: Essa é uma excelente pergunta. Mas complicada de responder de uma forma exata.
O primeiro (que já comentei), Depois o que eu fiz de 04 edições para Marvel no "Warmachine. E o atual, onde eu criei muito do visual, são grandes trabalhos para mim, que me enchem o peito.
Mas nunca deixaria os outros de lado, incluindo Crosshair para a Top Cow, onde também criei o visual com o Marc Silvestri.
Cross Hair

Eu nunca esquecerei estes, mas para ser sincero, tirando raras exceções, tive um bom relacionamento até agora com meus clientes e eu valorizo demais isso. É o mais importante nesse trabalho, pois é apenas assim que você fará tudo da melhor forma, tanto para você, quanto para o cliente e também para quem for ler. Só que sempre pode melhorar
PD: Quais os artistas que te influenciaram?
AJ: Rsrsrs. Tantos! Vou citar os que mais influenciaram: Moebius, Travis Charest, Kevin Nowlan, Mark Farmer, Stuart Immonen, Alphonse Mucha, Adam Hughes, Shinkiro, Koji Morimoto, Paolo Eleuteri Serpieri, Berni Wrightson, Tim Bradstreet, J. G. Jones e JH. Williams.
São artistas cuja arte eu admiro muito e me serviram como escola.
PD: Você roe o lápis enquanto está pensando no que irá desenhar?
AJ: Ahahaha Depende do momento. Não existe uma regra entre não saber o que desenhar e saber.
Às vezes eu sei de cara, às vezes demora um tempinho. Mas uma coisa é certa, eu gosto de trabalhar com roteiros. Justamente porque me sinto bem em poder colocar algo novo em cima daquela determinada idéia que me passaram. Ou seja, eu adoro fazer "adaptações" dos roteiros que me passam.
Mas sim, às vezes isso demora um pouco, às vezes não. O problema é que nesse trabalho não se pode demorar muito, então você é obrigado a encontrar incentivos para o cérebro.
PD: mas você roe o lápis?
AJ: rsrs. Lapiseirano meu caso. Isso é uma mania? Eu tenho uma diferente.
PD: Kkkkk... Qual é esta mania?
AJ: Quando eu estou muito empolgado em fazer uma página eu começo a mexer os dedos como se estivesse contando. Faço isso enquanto olho o que posso fazer no desenho. Como toda mania a gente só nota depois que já está rolando.
PD: Kkkkk....Obrigado pela entrevista, Jeff.
AGRADECIMENTOS:
Ao próprio Jeff por ter enviado gentilmente as fotocas suas e alguns desenhos seus para meu e-mail.
Maiores informações sobre este rapaz: